A escuta ativa é uma das ferramentas mais poderosas e mais subutilizadas na medicina contemporânea. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, coloca a escuta no centro de sua prática, entendendo que ouvir bem é o primeiro ato de humanização no atendimento geriátrico. Em consultas cada vez mais curtas e protocolos cada vez mais padronizados, a capacidade de ouvir com atenção genuína tornou-se um diferencial raro, especialmente no cuidado ao idoso.
Neste artigo, você vai entender o que é escuta ativa, por que ela transforma o cuidado ao idoso e como ela se manifesta nas ações do projeto no sertão cearense. Acompanhe!
O que é escuta ativa e por que ela importa no cuidado geriátrico?
A escuta ativa vai muito além de não interromper o paciente. Ela envolve atenção plena à linguagem verbal e não verbal, disposição para compreender o contexto emocional por trás das queixas e a capacidade de fazer perguntas que aprofundam o entendimento sem limitar o que o paciente deseja comunicar. De modo que, uma postura de presença total que transforma a consulta em um encontro genuíno.
Segundo Yuri Silva Portela, o idoso que se sente verdadeiramente ouvido compartilha informações que nunca emergiriam em uma consulta apressada. Sintomas omitidos por vergonha, dificuldades familiares que afetam o tratamento e medos que interferem na adesão às orientações médicas: tudo isso vem à tona quando o profissional cria um espaço de escuta seguro. Essas informações são clinicamente valiosas e humanamente essenciais.
Além disso, a escuta ativa também tem efeito terapêutico direto. Sentir-se ouvido reduz a ansiedade, melhora o humor e fortalece a confiança do paciente no processo de cuidado. Visto que o idoso frequentemente se sente invisível no sistema de saúde, essa experiência de ser verdadeiramente visto pode ser profundamente restauradora.
Como a escuta transforma o atendimento nas comunidades do sertão?
Nas comunidades atendidas pelo Humaniza Sertão, a escuta ativa tem uma dimensão ainda mais poderosa. Muitos dos idosos atendidos nunca tiveram um profissional que dedicasse tempo real para ouvir suas histórias e perguntar como estão se sentindo, além das queixas físicas. Portanto, a chegada de uma equipe que escuta com atenção é, para essas pessoas, uma experiência profundamente nova.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, a escuta nas comunidades rurais precisa ser culturalmente adaptada. Isto é, o ritmo da conversa, a linguagem utilizada e o respeito pelos silêncios são dimensões que o profissional precisa aprender a valorizar. Por isso, um atendimento que respeita a cultura local comunica respeito pela pessoa, e esse respeito é a base de qualquer relação terapêutica eficaz.
Ademais, os psicólogos voluntários do Humaniza Sertão são os profissionais mais diretamente treinados para a escuta qualificada, mas essa habilidade permeia toda a equipe. O fisioterapeuta que pergunta sobre as dores antes de iniciar qualquer procedimento e o médico que reserva tempo para perguntar como o idoso está emocionalmente praticam escuta ativa de formas que enriquecem e aprofundam o cuidado oferecido.
Escuta ativa como prática para famílias cuidadoras
A escuta ativa não é exclusiva dos profissionais de saúde. Ela pode e deve ser praticada por familiares no cotidiano do cuidado ao idoso. Assim, ouvir sem julgamento e sem pressa é uma das formas mais valiosas de expressão do amor e do cuidado na relação com os idosos da família.
Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, muitos idosos guardam silêncio sobre suas dores para não preocupar a família. Criar espaços de conversa em que o idoso sinta que pode falar sem consequências negativas é uma responsabilidade familiar com impacto direto sobre sua saúde. Ouvir mais é frequentemente mais eficaz do que fazer mais.
A escuta familiar também permite identificar mudanças sutis que merecem atenção médica. Alterações no discurso, novos medos e relatos de desconfortos nas conversas cotidianas são informações valiosas que chegam ao médico por meio das famílias que ouvem com atenção. Essa vigilância afetiva complementa o acompanhamento clínico de forma insubstituível.
Ouvir é o começo de todo cuidado que transforma
A escuta ativa é o fundamento sobre o qual todo cuidado humanizado se constrói. Sem ela, as melhores ferramentas clínicas produzem resultados limitados. Com ela, até as intervenções mais simples ganham uma dimensão terapêutica que vai muito além do esperado.
O doutor Yuri Silva Portela pratica e ensina essa escuta em cada atendimento e em cada ação do Humaniza Sertão. Ouça o idoso que você ama com presença e atenção verdadeiras. Essa é a forma mais simples e mais poderosa de cuidar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
