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Leitura: Diagnóstico tardio de TDAH e autismo em adultos: Por que demorou tanto? Saiba com Alexandre Costa Pedrosa
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Diagnóstico tardio de TDAH e autismo em adultos: Por que demorou tanto? Saiba com Alexandre Costa Pedrosa

Mei Narusawa
Mei Narusawa
Publicado: maio 12, 2026
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Alexandre Costa Pedrosa
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Contents
Por que os critérios diagnósticos foram construídos para crianças e não para adultos?Como o gênero e o contexto social atrasam ainda mais o diagnóstico em mulheres?O que muda na vida de um adulto depois de receber o diagnóstico?

Segundo o empresário Alexandre Costa Pedrosa, milhares de adultos passam décadas acreditando que são apenas desorganizados, antissociais, distraídos ou diferentes, sem imaginar que muitos desses comportamentos podem estar relacionados ao TDAH ou ao autismo. Para pessoas que recebem o diagnóstico apenas depois dos 30, 40 ou até 50 anos, essa descoberta costuma trazer uma releitura completa da própria trajetória.

 

Neste artigo, você vai entender por que o diagnóstico demorou tanto, quais são os impactos desse atraso na vida adulta e o que muda quando a resposta finalmente chega.

Por que os critérios diagnósticos foram construídos para crianças e não para adultos?

 

O TDAH foi descrito clinicamente pela primeira vez com foco quase exclusivo em meninos em idade escolar. Os critérios diagnósticos do DSM, o manual de referência da psiquiatria americana, foram originalmente desenhados a partir de comportamentos observáveis em crianças, como agitação motora, dificuldade em permanecer sentado e impulsividade evidente. Com o tempo, a ciência avançou e reconheceu que o transtorno persiste na vida adulta, mas os sintomas se manifestam de forma diferente. A hiperatividade motora frequentemente se transforma em inquietação interna, dificuldade de relaxar e pensamento acelerado. O problema é que muitos profissionais de saúde continuam aplicando mentalmente os critérios da infância ao avaliar adultos.

 

De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, o autismo passou por transformação diagnóstica ainda mais profunda. Durante décadas, o diagnóstico estava associado a quadros severos de comprometimento, como dificuldade total de comunicação verbal e comportamentos rituais muito aparentes. O conceito de espectro foi incorporado formalmente ao DSM apenas em 2013, unificando diferentes apresentações sob um único diagnóstico. Adultos que hoje recebem diagnóstico de autismo nível 1, antes chamado de síndrome de Asperger, cresceram em uma época em que sua forma de ser simplesmente não tinha nome clínico reconhecido. Foram rotulados como excêntricos, difíceis, antissociais ou, na melhor das hipóteses, muito inteligentes e reservados.

Alexandre Costa Pedrosa
Alexandre Costa Pedrosa

Como o gênero e o contexto social atrasam ainda mais o diagnóstico em mulheres?

 

Se o diagnóstico tardio já é um problema para os homens, para as mulheres a situação é estruturalmente mais grave, comenta Alexandre Costa Pedrosa. Estudos das últimas duas décadas revelam que meninas e mulheres com TDAH e autismo tendem a ser diagnosticadas muito mais tarde, quando são diagnosticadas. Parte disso se deve ao fenômeno do mascaramento, também chamado de camuflagem, no qual o indivíduo aprende desde cedo a esconder ou compensar comportamentos atípicos para se encaixar nas expectativas sociais. Mulheres são socializadas desde a infância para serem mais adaptáveis, empáticas e discretas, o que favorece um mascaramento mais eficiente e, consequentemente, uma invisibilidade diagnóstica maior.

 

No caso do TDAH, meninas tendem a apresentar predominantemente o tipo desatento, sem a hiperatividade motora que costuma chamar atenção de pais e professores. Uma criança que sonha acordada, entrega trabalhos incompletos e esquece compromissos com frequência raramente é encaminhada para avaliação, especialmente se tiver desempenho acadêmico razoável graças a um esforço redobrado para compensar a dificuldade. Essa menina cresce, vai para a faculdade, entra no mercado de trabalho e continua se esforçando o dobro para entregar metade, sem jamais entender por quê.

 

No autismo, as pesquisas mostram um padrão semelhante. Mulheres autistas tendem a desenvolver habilidades sofisticadas de imitação social, aprendendo a copiar expressões, entonações e comportamentos de colegas para parecerem mais encaixadas nos grupos. Essa estratégia tem um custo altíssimo em termos de energia cognitiva e emocional, frequentemente levando a crises de esgotamento conhecidas como burnout autístico. Quando chegam ao consultório exaustas, ansiosas ou deprimidas, o diagnóstico mais comum que recebem é exatamente esse: ansiedade e depressão. O autismo subjacente fica encoberto por mais anos.

O que muda na vida de um adulto depois de receber o diagnóstico?

 

Para muitos adultos, o diagnóstico tardio de TDAH ou autismo provoca uma reação que profissionais de saúde descrevem como luto e alívio simultâneos. O alívio vem da compreensão: finalmente há uma explicação para décadas de dificuldades, fracassos aparentes, relacionamentos complicados e sensação constante de inadequação. O luto vem da percepção de quanto tempo foi perdido sem o suporte adequado, sem as adaptações necessárias e sem a autocompreensão que um diagnóstico mais precoce poderia ter proporcionado.

 

Na prática, como destaca Alexandre Costa Pedrosa, o diagnóstico abre portas que antes estavam fechadas. O acesso a tratamentos específicos, sejam eles medicamentosos, psicoterapêuticos ou comportamentais, torna-se mais direcionado. Estratégias que antes pareciam meros truques de autoajuda ganham base clínica e são adaptadas com muito mais precisão às necessidades reais do indivíduo. Relacionamentos pessoais e profissionais também tendem a melhorar, na medida em que a pessoa passa a comunicar suas necessidades com mais clareza e a entender suas próprias reações de forma mais compassiva.

 

Por fim, Alexandre Costa Pedrosa ressalta que o diagnóstico não deve ser visto como um ponto final, mas como o início de um processo de autoconhecimento que exige tempo, acolhimento e acompanhamento adequado. Em muitos casos, o suporte terapêutico especializado se torna fundamental para ajudar o adulto diagnosticado a compreender padrões de comportamento, reorganizar a rotina e reconstruir a própria percepção sobre sua trajetória. Nesse contexto, profissionais com formação em neurodiversidade, grupos de apoio e acesso a informações científicas mais acessíveis desempenham papel importante ao longo dessa jornada. 

 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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