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Leitura: Percepção da dor no idoso com demência avançada: como identificar sofrimento em quem não consegue mais comunicá-lo verbalmente e o que as escalas observacionais oferecem?
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Yuri Silva Portela
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Percepção da dor no idoso com demência avançada: como identificar sofrimento em quem não consegue mais comunicá-lo verbalmente e o que as escalas observacionais oferecem?

Mei Narusawa
Mei Narusawa
Publicado: julho 1, 2026
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Yuri Silva Portela
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Conforme indica o Dr. Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, a dor é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de avaliar quando o paciente perde a capacidade de descrevê-la com palavras. No idoso com demência avançada, essa limitação comunicativa cria um cenário em que o sofrimento físico pode permanecer invisível por dias ou semanas, tratado com analgesia insuficiente ou simplesmente ignorado por uma equipe que não dispõe das ferramentas para reconhecê-lo. 

Contents
Por que a dor é subestimada no idoso com demência?O que o corpo comunica quando a fala falha?Escalas observacionais de dor: ferramentas que existem e são subutilizadasAnalgesia adequada, conforto e dignidade no cuidado ao idoso não verbal

Ao longo deste artigo, você vai compreender o que a medicina oferece para enfrentar esse desafio e por que identificar a dor no idoso não verbal é uma obrigação clínica e ética inegociável.

Por que a dor é subestimada no idoso com demência?

A subestimação da dor no idoso com demência tem raízes múltiplas que se reforçam mutuamente. A crença equivocada de que idosos sentem menos dor do que adultos jovens, apesar de não ter respaldo científico, ainda orienta condutas em muitos serviços de saúde. A dificuldade de comunicação do paciente com demência avançada é frequentemente interpretada como ausência de queixa, quando na verdade representa apenas incapacidade de expressá-la pelos canais convencionais. Além disso, comportamentos que são manifestações de dor, como agitação, recusa alimentar, gemidos e alterações do sono, são muitas vezes manejados com sedativos ou antipsicóticos sem que a possibilidade de dor subjacente seja investigada.

Como ressalta Yuri Silva Portela, o resultado prático dessa cadeia de equívocos é que estudos observacionais em instituições de longa permanência identificam dor não tratada ou subtratada em proporção expressiva dos residentes com demência avançada. Na realidade, esse dado representa sofrimento real, diário e evitável de pessoas que dependem integralmente da capacidade de quem cuida delas de reconhecer o que não podem mais dizer.

O que o corpo comunica quando a fala falha?

O idoso com demência avançada que sente dor frequentemente a comunica por meio de uma linguagem corporal que exige treinamento para ser lida com precisão. Expressões faciais como franzir a testa, cerrar os olhos, abrir a boca em tensão ou demonstrar grimaces durante mobilizações são sinais de dor documentados e validados pela literatura científica. Somado a isso, vocalizações como gemidos, choros sem causa aparente, gritos durante o cuidado e murmúrios persistentes são igualmente relevantes. Comportamentos de proteção, como retirar um membro ao ser tocado, recusar determinadas posições ou demonstrar agitação específica durante procedimentos de higiene, completam o quadro de sinais que uma equipe bem treinada consegue identificar e interpretar.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela transmite que o treinamento da equipe de cuidado para reconhecer esses sinais é uma intervenção de baixo custo e alto impacto que transforma a qualidade do cuidado oferecido ao idoso com demência. Um cuidador que sabe o que procurar consegue identificar dor que um médico, em uma consulta de poucos minutos, nunca teria condições de detectar.

Escalas observacionais de dor: ferramentas que existem e são subutilizadas

A medicina desenvolveu nas últimas décadas diversas escalas validadas para avaliação de dor em pacientes não verbais, incluindo idosos com demência avançada. Entre as mais utilizadas internacionalmente estão a PAINAD, a Abbey Pain Scale e a DOLOPLUS-2, todas baseadas na observação sistemática de comportamentos e expressões que se modificam na presença de dor. Na prática, essas ferramentas permitem quantificar a intensidade da dor de forma estruturada, orientar decisões terapêuticas e monitorar a resposta ao tratamento analgésico ao longo do tempo.

Conforme detalha o doutor Yuri Silva Portela, a subutilização dessas escalas na prática clínica brasileira, especialmente em serviços de atenção primária e em instituições de longa permanência com menor suporte técnico, é uma lacuna que tem consequências diretas sobre o sofrimento de milhares de idosos. Nesse sentido, incorporar a avaliação sistemática de dor por escalas observacionais como parte da rotina de cuidado ao idoso com demência avançada é uma mudança que não exige recursos sofisticados, mas exige vontade institucional e capacitação das equipes.

Analgesia adequada, conforto e dignidade no cuidado ao idoso não verbal

O objetivo da avaliação de dor no idoso com demência avançada não é apenas acadêmico: é garantir que o tratamento analgésico seja iniciado, ajustado e monitorado de forma adequada ao sofrimento real do paciente. Isso inclui a utilização de analgésicos em horários regulares em vez de apenas sob demanda, a reavaliação periódica da eficácia do tratamento por meio das mesmas escalas observacionais e a atenção às causas reversíveis de dor, como infecções, constipação, úlceras por pressão e posicionamento inadequado no leito.

Para Yuri Silva Portela, cuidar com dignidade do idoso que não pode mais falar é uma das expressões mais elevadas da medicina humanizada. Reconhecer sua dor, tratá-la com competência e continuar buscando o que ele não consegue mais pedir é o compromisso ético que nenhum protocolo substitui, mas que todos os protocolos deveriam reforçar. Em um sistema de saúde que ainda luta para garantir atendimento digno ao idoso que fala, garantir esse mesmo cuidado àquele que silenciou exige esforço adicional, treinamento específico e uma cultura institucional que coloque o sofrimento humano acima da conveniência operacional. É esse o padrão que a geriatria contemporânea precisa perseguir.

Tag:Doutor Yuri Silva PortelaDoutor Yuri Silva Portela pós graduado em GeriatriaDr. Yuri Silva PortelaO que aconteceu com Yuri Silva PortelaQuem é Yuri Silva PortelaTudo sobre Yuri Silva PortelaYuri Silva Portela
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