Segundo Tiago Oliva Schietti, as mudanças demográficas observadas no Brasil nas últimas décadas vêm provocando impactos significativos em diversos segmentos da economia, e o setor funerário não é exceção. As alterações na estrutura etária da população, na composição das famílias e nos padrões de urbanização influenciam diretamente a forma como os serviços funerários são demandados, organizados e prestados. Para aprofundar essa discussão e entender seus impactos, convidamos o leitor a conferir o artigo a seguir.
O envelhecimento da população e seus reflexos diretos
O aumento da expectativa de vida no Brasil é um dos fatores demográficos mais relevantes para o setor funerário, assim como aponta Tiago Oliva Schietti. Com uma população cada vez mais idosa, cresce a demanda por serviços planejados, contratos antecipados e soluções que ofereçam segurança e previsibilidade às famílias. Esse cenário exige das empresas maior preparo técnico e organizacional.
Além disso, o envelhecimento populacional tende a modificar o perfil do atendimento, exigindo mais sensibilidade, clareza na comunicação e suporte às famílias em processos que, muitas vezes, já estavam sendo discutidos previamente. O setor passa a lidar com um público mais informado, que busca transparência, respeito e opções alinhadas às suas convicções pessoais.
Famílias menores e novas formas de lidar com o luto
Para Tiago Oliva Schietti, outro impacto relevante das mudanças demográficas está relacionado à redução do tamanho das famílias. Lares com menos membros significam, muitas vezes, menos pessoas envolvidas na tomada de decisões no momento do falecimento, o que altera a dinâmica do atendimento funerário. Esse contexto exige processos mais ágeis e orientação clara para auxiliar as famílias em um momento de fragilidade emocional.
Além disso, famílias menores e mais dispersas geograficamente tendem a buscar soluções mais práticas, como cerimônias reduzidas, serviços personalizados ou alternativas que facilitem a logística da despedida. Essas mudanças reforçam a importância de um atendimento flexível e adaptado às novas realidades sociais.
De que forma a urbanização influencia os serviços funerários?
A urbanização acelerada é outro fator demográfico que impacta diretamente o setor funerário, como ressalta Tiago Oliva Schietti. O crescimento das cidades, aliado à escassez de espaços urbanos, influencia escolhas como sepultamento tradicional, cremação e outras alternativas. Em grandes centros urbanos, a falta de áreas disponíveis torna a gestão cemiterial mais complexa e impulsiona a busca por soluções mais viáveis.

Além da questão espacial, a urbanização também afeta os rituais de despedida. A vida urbana, marcada por rotinas intensas e deslocamentos longos, faz com que muitas famílias optem por cerimônias mais objetivas e organizadas. Esse cenário exige do setor funerário maior eficiência operacional e capacidade de adaptação às limitações e necessidades do ambiente urbano.
Impactos das mudanças demográficas nos modelos de serviço
As transformações demográficas não afetam apenas a demanda, mas também os modelos de serviço oferecidos pelo setor funerário. Empresas precisam repensar seus portfólios, incorporando soluções mais flexíveis, acessíveis e alinhadas aos novos perfis familiares e sociais.
Entre os principais impactos observados, destacam-se:
- Crescente busca por serviços planejados e contratos antecipados;
- Maior demanda por alternativas como cremação e memorialização;
- Redução do tamanho e duração das cerimônias tradicionais;
- Necessidade de atendimento mais ágil e personalizado;
- Valorização da transparência e da clareza nas informações.
Essas mudanças exigem revisão de processos internos, capacitação de equipes e adoção de estratégias que acompanhem a evolução da sociedade.
Desafios operacionais diante de um cenário em transformação
As mudanças demográficas impõem desafios operacionais importantes ao setor funerário, como evidencia Tiago Oliva Schietti. A necessidade de atender a um público mais diverso, urbano e informado exige investimentos em gestão, tecnologia e qualificação profissional. Processos antes padronizados precisam se tornar mais flexíveis e orientados à experiência das famílias.
Outro desafio está na adaptação à velocidade das transformações sociais. O setor funerário, tradicionalmente conservador, precisa encontrar o equilíbrio entre preservar valores essenciais e incorporar inovações que respondam às novas demandas demográficas. Essa adaptação é fundamental para garantir sustentabilidade e relevância no longo prazo.
Um setor em evolução diante das transformações da sociedade
Em conclusão, as mudanças demográficas impactam profundamente o setor funerário, influenciando desde a demanda por serviços até a forma como eles são concebidos e executados. Ao compreender essas transformações e adaptar suas práticas, o setor funerário se fortalece e se torna mais preparado para atender às necessidades contemporâneas. Mais do que reagir às mudanças, o desafio está em antecipá-las, oferecendo serviços éticos, eficientes e alinhados à realidade demográfica do país.
Autor: Terry Devinney

