Dados do Novo Caged mostram força do mercado de trabalho regional no ano, porém São Bernardo, São Caetano e Mauá fecharam vagas no último mês avaliado.
O trabalhador do Grande ABC tem motivos para comemorar quando olha para o retrato de 2026 até agora, mas também precisa ficar atento ao que aconteceu no mês mais recente. Segundo o Grande ABC registrou a criação de 8.398 empregos com carteira assinada nos cinco primeiros meses do ano, um resultado que reforça a recuperação gradual da economia regional depois de um início de década marcado por instabilidade. No entanto, em maio de 2026 o saldo foi negativo, com o fechamento de 1.607 postos de trabalho, o que levanta a pergunta que mais interessa a quem procura emprego ou já está empregado na região: esse recuo é passageiro ou indica uma mudança de rumo? Para responder a essa dúvida, é preciso entender os números por cidade, o contexto nacional que influencia o Grande ABC e o que prefeituras e órgãos regionais estão fazendo para sustentar a geração de vagas nos próximos meses. TV São BernardoTV São Bernardo
O que os números do Caged revelam sobre cada cidade do ABC
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e organizados pelo Observatório Grande ABC, iniciativa do Consórcio Intermunicipal Grande ABC em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC. O levantamento tem como objetivo justamente subsidiar políticas públicas para a região, e por isso vai além do saldo geral: ele mostra que a realidade varia bastante de cidade para cidade. Em maio, quatro cidades registraram saldo positivo: Santo André (+102), Diadema (+66), Ribeirão Pires (+48) e Rio Grande da Serra (+2). Do outro lado, tiveram saldo negativo São Bernardo do Campo (-1.270), São Caetano do Sul (-457) e Mauá (-98). TV São Bernardo + 2
Esse contraste ajuda a explicar por que a leitura do mercado de trabalho regional não pode ser feita de forma isolada, mês a mês. Santo André, por exemplo, vem se destacando de forma consistente: segundo levantamento do próprio Caged, a cidade foi a que registrou o maior saldo positivo de empregos formais em maio na região, colocando-se à frente de municípios como São Bernardo do Campo. Já São Bernardo, tradicionalmente ligada à indústria automotiva e ao polo metalúrgico do Grande ABC, sentiu o impacto mais forte do mês, com a maior perda de vagas entre as sete cidades da região. Ainda assim, o acumulado dos últimos doze meses segue positivo: entre junho de 2025 e maio de 2026, houve a abertura de 10.428 vagas formais na região, um número que indica que, apesar do tropeço em maio, a tendência de médio prazo continua favorável ao trabalhador do ABC. ABCD JornalTV São Bernardo
Por que o resultado nacional ajuda a explicar o que aconteceu na região
Para entender o que houve no Grande ABC, também é necessário olhar para o cenário brasileiro, já que o mercado de trabalho regional segue, em boa parte, o ritmo do país. Em maio, o mercado de trabalho brasileiro abriu 72.960 postos de trabalho, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, um número que ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para criação líquida de 120 mil vagas no mês. Mais preocupante ainda: segundo o levantamento, esse foi o menor saldo de empregos para meses de maio desde 2020, ano em que a pandemia de covid-19 paralisou setores inteiros da economia. Diário do Grande ABC + 2
O acumulado do ano também confirma essa desaceleração. O mercado de trabalho brasileiro cresceu em 767.326 vagas no acumulado de janeiro a maio de 2026, o menor saldo do Caged para o período desde 2020, e na comparação com janeiro a maio de 2025, o resultado representa uma queda de 28%. Questionado sobre os motivos, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que, apesar dos impactos das altas taxas de juros e do cenário econômico internacional, o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando resultados positivos, embora reconheça que a política monetária pode estar pesando sobre a criação de vagas. Esse pano de fundo nacional explica, em boa parte, por que cidades industriais como São Bernardo e São Caetano, mais expostas a setores sensíveis a juros altos, como comércio e indústria, sentiram o recuo com mais força em maio. Diário do Grande ABC + 2
O que a prefeitura de Santo André está fazendo para manter o emprego em alta
Diante desse cenário, iniciativas municipais de qualificação e intermediação de mão de obra ganham peso na hora de sustentar a geração de vagas na região. Um exemplo é o trabalho feito por Santo André, que tem investido em programas de capacitação e conexão entre trabalhador e empresa por meio da Casa do Trabalhador. Em abril, a cidade encerrou o primeiro Feirão de Inclusão Produtiva e Emprego de 2026 com mais de 21,1 mil acessos de interessados em uma das 5.804 vagas oferecidas por 150 empresas participantes da ação, um volume que ajuda a explicar por que o município aparece na liderança regional mesmo em um mês difícil para boa parte do ABC. ABCD Jornal
Para o secretário responsável pela área na cidade, a liderança regional é fruto do trabalho que envolve planejamento estratégico, governança e diálogo permanente com a iniciativa privada, instituições de ensino e entidades de classe. Serviços como o Portal da Casa do Trabalhador, disponível para quem busca recolocação, funcionam justamente como ponte entre quem precisa de mão de obra e quem está em busca de uma vaga. Iniciativas semelhantes em outras cidades da região, somadas ao acompanhamento constante feito pelo Observatório Grande ABC, tendem a ser decisivas para saber se o resultado negativo de maio foi um ponto isolado ou o início de uma tendência que vai exigir respostas mais rápidas do poder público ao longo do segundo semestre. ABCD Jornal
Os próximos boletins do Caged, previstos para os meses seguintes, vão mostrar se o Grande ABC consegue reverter o resultado negativo de maio ou se a região entra em um período de maior cautela na contratação. O que já está claro é que a base construída nos primeiros cinco meses do ano, com quase 8,4 mil vagas formais abertas, dá certo fôlego à região para absorver oscilações pontuais sem comprometer o saldo positivo acumulado em doze meses. Para trabalhadores e empresários do ABC, acompanhar esses números deixou de ser tarefa apenas de economistas: virou informação prática para decisões do dia a dia, da contratação à escolha de onde buscar uma nova oportunidade.
Fontes consultadas: dgabc.com.br, tvsaobernardo.com, abcdjornal.com.br, gov.br/trabalho-e-emprego
