Paulo de Matos Junior costuma destacar que a maioria dos investidores em criptomoedas ainda subestima o impacto concreto que a regulação do Banco Central terá sobre o seu dia a dia. Empresário do segmento financeiro com atuação nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, ele acompanha o mercado desde 2017 e percebe uma diferença significativa entre o ambiente anterior à norma e o que está por vir a partir de fevereiro de 2026, quando as novas regras passam a valer para todas as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais no país.
Para quem investe em Bitcoin, Ethereum ou qualquer outro ativo digital por meio de plataformas brasileiras, a regulação representa uma mudança de paradigma. As exchanges e custodiantes que obtiverem autorização do Banco Central passarão a operar sob padrões de governança, transparência e proteção ao cliente equivalentes aos exigidos de bancos e fintechs, o que altera de forma substantiva o perfil de risco associado ao uso dessas plataformas.
O que o investidor ganha com a regulação?
Conforme pondera Paulo de Matos Junior, o principal ganho para o investidor de varejo é a segurança jurídica sobre os ativos que mantém depositados nas plataformas. A exigência de segregação patrimonial, prevista na norma do Banco Central, garante que os criptoativos dos clientes sejam contabilizados separadamente do patrimônio da empresa, protegendo o investidor em caso de dificuldades financeiras da plataforma.
Acrescenta-se a isso a obrigatoriedade de transparência sobre taxas, riscos e políticas de custódia. Com a regulação, o investidor passa a ter direito a informações mais claras e padronizadas sobre os produtos que contrata, o que facilita a comparação entre plataformas e a tomada de decisão com base em critérios objetivos.

Bitcoin e Ethereum no ambiente regulado
Na interpretação de Paulo de Matos Junior, ativos como Bitcoin e Ethereum não perdem suas características fundamentais com a regulação, mas o ambiente em que são negociados se torna significativamente mais seguro e previsível. A volatilidade de preços permanece como característica inerente ao mercado, mas os riscos operacionais associados à custódia e à negociação tendem a diminuir de forma expressiva.
Vale ainda mencionar que a regulação não proíbe nem restringe a negociação dos principais criptoativos do mercado. O foco da norma é sobre as empresas que prestam serviços, e não sobre os ativos em si, o que preserva a liberdade do investidor para montar sua carteira de acordo com seu perfil e seus objetivos financeiros.
Como escolher uma plataforma após a regulação?
Sob a perspectiva de Paulo de Matos Junior, a autorização do Banco Central se tornará o principal critério de seleção de plataformas para o investidor consciente. Assim como um correntista verifica se o banco onde deposita seu dinheiro é supervisionado pelo regulador, o investidor em criptoativos deverá verificar se a exchange ou custodiante que utiliza possui a licença exigida pela nova norma.
Em síntese, a regulação transforma a relação entre o investidor e o mercado de criptoativos ao introduzir um padrão mínimo de confiabilidade que antes inexistia. Paulo de Matos Junior conclui que esse é um passo decisivo para que ativos como Bitcoin e Ethereum sejam tratados com a seriedade que merecem dentro de uma carteira de investimentos bem estruturada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
